Mapeamentos colaborativos e geografia(s) do cotidiano Avaliações e perspectivas das práticas escolares

Conteúdo do artigo principal

Mariano de Oliveira Carvalho
https://orcid.org/0000-0001-8508-2735
Cassio Expedito Galdino Pereira
https://orcid.org/0000-0002-0987-6258
Davis de Paula
https://orcid.org/0000-0002-8298-7720
Jörn Seemann
https://orcid.org/0000-0002-7105-4335

Resumo

Trabalhar a Educação Cartográfica no contexto do ensino básico tem sido deveras desafiador. Em um mundo permeado pelas Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC's), um dos grandes obstáculos a efetivação da aprendizagem em Cartografia pode ser encontrado em dar significado ao conteúdo e, consequentemente, capturar a atenção dos estudantes de modo a construir saberes e fazeres para sua prática cotidiana. É evidente que a sociedade, mesmo mergulhada em mapas e mapeamentos, pouco sabe e interage, porque este saber tem um grau de ‘cientificidade’, tendo pouca utilidade e significância na Geografia cotidiana. No bojo dessa peleja, velhos conhecidos surgem como novas ferramentas para o desenvolvimento de um ensino com maior eficácia e significância, como as práticas escolares de mapeamento colaborativo. Cabe salientar que, evocando a literatura sobre o ensino, temos na pesquisa dentro da educação básica uma centelha para a instigação da curiosidade dos alunos, o que permite o avanço para o próximo passo. A inserção do conhecimento cartográfico diversificado (aqui representado pelo mapeamento colaborativo feito a partir de mapeamentos efêmeros e/ou uso do geoprocessamento), a fim de saciar a sede de conhecimento dos estudantes e a fome de aprendizagem do docente (e porque não dizer também, das instâncias superiores de gestão educacional), tem permitido inserir mapas e processos de mapeamentos para debruçar-se sobre os processos sociais e territoriais. Partindo dessa conjectura, surgem os seguintes questionamentos: qual o papel das práticas escolares dos mapeamentos colaborativos para a transformação dos saberes cartográficos científicos em saberes cartográficos práticos e cotidianos? Pode-se proporcionar uma consciência cartográfica a partir das práticas escolares dos mapeamentos colaborativos? Para ilustrar a proposta aqui ensejada faremos uso de um conjunto de trabalhos realizados no interior cearense, mais precisamente em municípios da região do Cariri. Para além de ilustrar propõe-se uma discussão e avaliação acerca das práticas à luz das teorias cartográficas e do ensino de modo a deixar claro que não há de fato uma panaceia capaz de sanar todas as problemáticas do processo educativo da Cartografia. Todavia, há meios para construir saberes e fazeres que oportunize a prática de mapear para desvendar as tramas da(s) geografia(s) do(s) fenômenos que ocorrem no cotidiano, tornando-a mais prazerosa, eficaz e significativa.

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Detalhes do artigo

Como Citar
Carvalho, M., Pereira, C., Paula, D., & Seemann, J. (2023). Mapeamentos colaborativos e geografia(s) do cotidiano: Avaliações e perspectivas das práticas escolares. Metodologias E Aprendizado, 6, 293–309. https://doi.org/10.21166/metapre.v6i.3124
Edição
Seção
Colóquio de Cartografia para Crianças e Escolares
Biografia do Autor

Cassio Expedito Galdino Pereira, Universidade Federal do Pernambuco

Possui mestrado em Geografia Humana (Universidade de São Paulo). Vice-líder do grupo de pesquisa CNPq IMAGO - Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino, vinculado a Universidade Regional do Cariri - URCA. Desenvolve pesquisas no âmbito da linguagem cartográfica, cartografia e questão agrária, como também relações socioculturais e espaciais, com ênfase em: Cartografia Geográfica; Mapas e Sociedade; Geografia Agrária; Geografia Cultural; Percepção Ambiental; Educação Cartografia e; Educação Geográfica.

Davis de Paula, Universidade Estadual do Ceará

Em 2020, concluiu Pós-Doutorado em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Ceará. Tem doutorado em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente, Ramo Ciências do Mar, especialidade em Gestão Costeira pela Universidade do Algarve, Portugal, em 2012. Tem mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da UECE, com área de concentração em Análise Geoambiental e Ordenação do Território nas Regiões Semiáridas e Litorâneas, em 2006. É bacharel (2003) e licenciado (2004) em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará - UECE. Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará, exercendo o cargo de Vice-Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UECE. É professor associado ao Laboratório de Geologia e Geomorfologia Costeira e Oceânica e membro do Grupo de Pesquisa Sistemas Costeiros e Oceânicos do CNPq. Na mesma instituição, ainda, foi coordenador dos cursos de Geografia/CCT, entre os anos de 2017 e 2019. Foi professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA, entre os anos de 2013 e 2016. Foi professor permanente do quadro de docentes do Mestrado Acadêmico em Geografia - MAG da UVA, entre os anos de 2014-2019. Também foi coordenador brasileiro da Rede Braspor, entre os anos de 2015 e 2017, trata-se de uma rede informal de cientistas do Brasil e de Portugal que se dedicam a estudar os ambientes costeiros e suas sinergias. Atua como pesquisador na área de Geografia Costeira com ênfase em Gestão e Impactos Costeiros, atuando principalmente nos seguintes temas: História ambiental, Interação Homem-Meio, Ressacas do Mar, Gestão de Ambientes Costeiros e Impactos Socioambientais em Comunidades Litorâneas.

Jörn Seemann, Ball State University: Muncie, IN, US

Jörn possui mestrado em Geografia (Universität Hamburg, 1994) e doutorado em Geografia (Louisiana State University, 2010). Atualmente, ele é professor associado da Ball State University nos Estados Unidos, onde ele ensina cartografia e geografia cultural. Seu maior foco de pesquisa é a interface entre cartografia e cultura. Jörn se interessa particularmente pelos seguintes assuntos: mapas e sociedade, história da cartografia, pensamento geográfico/cartográfico, geografia cultural, educação cartográfica e mapas mentais. Recentemente, ele pesquisou a imaginação geográfica na Política de Boa Vizinhança dos Estados Unidos (Good Neighbor Policy) e as geografias dos Voluntários da Paz na América Latina nos anos 60 do século XX. Jörn faz parte do conselho editorial de várias revistas brasileiras e internacionais e é editor associado do Journal of Latin American Geography (JLAG). Ele é membro ativo da American Association of Geographers (AAG), na qual coordena o grupo de trabalho sobre história da geografia.

Referências

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