Mapeamento participativo com emojis: uma estratégia de ensino de áreas sujeitas a alagamento e inundações

Conteúdo do artigo principal

Franciele Delevati Ben
https://orcid.org/0000-0002-6608-4070
Eric Moisés Beilfuss
https://orcid.org/0000-0002-8094-8330
Carina Petsch
https://orcid.org/0000-0002-1079-0080

Resumo

Os mapas são fundamentais para entender o espaço geográfico, contudo comumente são apresentados prontos para os(as) alunos(as) não permitindo qualquer inserção de dados. À vista disso, o objetivo deste trabalho foi realizar um mapeamento participativo identificando pontos sujeitos a alagamento e inundações. Ao invés de somente localizar, os(as) alunos(as) usaram emojis para representar as emoções. O trabalho detém um caráter qualitativo e apresenta os resultados de uma oficina aplicada na turma de 8º ano de uma escola localizada em Santa Maria (RS). Em relação aos conceitos usados na oficina, os alunos(as) relataram que conheciam somente o de alagamento, pois este fenômeno faz parte de seu cotidiano, já que nenhum deles indicou que vive em pontos de inundação. O primeiro grupo mapeou 16 pontos, sendo que seis foram com o emoji de raiva,pois relataram que em dia de chuva molhavam os tênis indo para a escola, principalmente nas áreas próximas aos trilhos de trem. Ao passo que o segundo grupo mapeou 12 pontos, sendo que três se referiam à frente da escola, representando raiva, tristeza e fúria, pois estava chovendo e toda entrada estava alagada, fazendo com que molhassem seus calçados. Em síntese, a interação na oficina foi abaixo da esperada, pois provavelmente os alunos não estão acostumados com metodologias ativas. Destaca-se que outras emoções foram citadas nos emojis como a violência e poluição, confirmando possibilidades de aplicação da metodologia com outras temáticas urbanas.sendo que três se referiam à frente da escola, representando raiva, tristeza e fúria, pois estava chovendo e toda entrada estava alagada, fazendo com que molhassem seus calçados. Em síntese, a interação na oficina foi abaixo da esperada, pois provavelmente os alunos não estão acostumados com metodologias ativas. Destaca-se que outras emoções foram citadas nos emojis como a violência e poluição, confirmando possibilidades de aplicação da metodologia com outras temáticas urbanas.sendo que três se referiam à frente da escola, representando raiva, tristeza e fúria, pois estava chovendo e toda entrada estava alagada, fazendo com que molhassem seus calçados. Em síntese, a interação na oficina foi abaixo da esperada, pois provavelmente os alunos não estão acostumados com metodologias ativas. Destaca-se que outras emoções foram citadas nos emojis como a violência e poluição, confirmando possibilidades de aplicação da metodologia com outras temáticas urbanas.confirmando possibilidades de aplicação da metodologia com outras temáticas urbanas.confirmando possibilidades de aplicação da metodologia com outras temáticas urbanas.

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Como Citar
Ben, F., Beilfuss, E., & Petsch, C. (2023). Mapeamento participativo com emojis: uma estratégia de ensino de áreas sujeitas a alagamento e inundações. Metodologias E Aprendizado, 6, 223–238. https://doi.org/10.21166/metapre.v6i.2986
Edição
Seção
Colóquio de Cartografia para Crianças e Escolares
Biografia do Autor

Franciele Delevati Ben, Universidade Federal de Santa Maria

Graduanda do Curso de Geografia Licenciatura na Universidade Federal de Santa Maria. Atualmente é pesquisadora do Laboratório de Geologia Ambiental (LAGEOLAM) da UFSM, participando do projeto Estudo do Lugar a partir do Atlas Geoambiental dos Municípios drenados pela Bacia do Rio Ibicuí, é também voluntária no Laboratório de Ensino e Pesquisas em Geografia e Humanidades (LEPGHU) da UFSM e Divulgadora Científica da Página Cartografia Viral no Instagram. Atua principalmente nos seguintes temas: mapeamento geoambiental, caderno didático e atlas. 

Eric Moisés Beilfuss, Universidade Federal de Santa Maria

Graduando do curso de Geografia Bacharelado e Técnico em Meio Ambiente na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente é pesquisador e bolsista FIEX (Fundo de Incentivo à Extensão) pelo Laboratório de Geologia Ambiental (LAGEOLAM) no projeto Cartografia Colaborativa como Método de Elaboração do Atlas Municipal de Jari (RS), além disso, atuou como monitor da disciplina de Cartografia B (2021), ademais desenvolve pesquisas em relação aos municípios da região centro oeste do Rio Grande do Sul, relacionando com uso do solo e o mapeamento geomorfológico através da formulação de Atlas Geoambientais. Tem interesse em estudos de Geomorfologia, Geologia, Geografia Urbana, Análise Ambiental e Cartografia.

Carina Petsch, Universidade Federal de Santa Maria

Possui graduação em Geografia (Bacharelado) pela Universidade Estadual de Maringá (2011), mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2014) e doutorado em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2018). Atuou como professora colaboradora da UNIOESTE, campus Francisco Beltrão, no período de 05/2018 a 03/2019. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geografia Física, atuando principalmente nos seguintes temas: Antártica, monitoramento de geleiras, Ensino Polar, Geomorfologia glacial, Sensoriamento Remoto e Cartografia escolar. Atua como pesquisadora no Laboratório de Geologia Ambiental (LAGEOLAM) da UFSM, Laboratório de Ensino e Pesquisas em Geografia e Humanidades (LEPGHU) e Centro Polar e Climático (CPC) da UFRGS. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) atuando na área de Geografia Física, Ensino e Cartografia.

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