Os impactos dos fatores antrópicos nas praias da área de proteção ambiental (APA) Costa Brava em Balneário Camboriú, Santa Catarina, Brasil.
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Resumo
A região costeira abriga ecossistemas de relevância ambiental, econômica e social. Com o crescimento urbano e a ocupação desordenada, vem sendo registrada a crescente degradação destes ecossistemas, provocando impactos na paisagem e linha de costa. Visando identificar os fatores que atuam na vulnerabilidade das praias da unidade de uso sustentável da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa Brava, aplicou-se duas metodologias onde, na primeira, analisou-se cinquenta e quatro variáveis que compuseram os índices geomorfológico-sedimentar; de incidência marinha; de incidência eólica; das características da cobertura vegetal e de pressão de uso antrópico. Na segunda metodologia avaliou-se sete variáveis: altura da vegetação; tipos de barreiras; tipos de praia; linha de costa erosiva e progressiva; elevação relativa do nível médio do mar; altura de arrebentação da onda e variação relativa da maré. Na primeira metodologia as praias do Estaleiro norte, Pinho e Taquarinhas, enquadraram-se na categoria de vulnerabilidade baixa a intermediária (Classe II – 0.30 < IV < 0.45), e as praias do Estaleirinho, Estaleiro sul, Taquaras e Laranjeiras, na categoria de vulnerabilidade intermediária a alta (Classe III – 0.45 < IV < 0.60). Pela segunda metodologia foi possível classificar as praias de Taquarinhas, Estaleirinho e Laranjeiras em baixa vulnerabilidade; Taquaras, Pinho e Estaleiro em média vulnerabilidade. As praias evidenciaram sinais de degradação por forçantes naturais que atuam intensamente na região, consequentemente a ação antrópica mostrou potencializar a vulnerabilidade das praias presentes na costa.
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