RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM ALIMENTOS NO PARANÁ

UM ESTUDO ACERCA DO MONITORAMENTO DO PARA/PR (2011-2020)

Autores

  • Daiane Matos IFC - Campus Ibirama
  • Luciano Zanetti Pessôa Candiotto UNIOESTE - Campus Francisco Beltrão
  • Shaiane Carla Gaboardi IFC - Campus Ibirama

Palavras-chave:

Agrotóxicos, Monitoramento, PARA, Alimentos, Paraná

Resumo

(p style="text-align: justify;") Atualmente, o Brasil figura no cenário internacional, junto com China e Estados Unidos, como um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, em números absolutos (FAOSTAT, 2021). À vista disso, instituições e pesquisadores da área ambiental e da saúde coletiva, têm levantado questionamentos sobre os possíveis efeitos deletérios que o uso ampliado de agrotóxicos pode ocasionar nos ecossistemas e para a saúde humana. Os efeitos relacionados à exposição aos agrotóxicos variam de impactos leves, de curto prazo como náuseas e dores de cabeça, a efeitos crônicos, como infertilidade, defeitos congênitos, distúrbios sanguíneos, distúrbios nervosos e desregulação endócrina. Além disso, muitos dos agrotóxicos usados atualmente são absorvidos pelas raízes e distribuídos para a planta inteira (de ação sistêmica), e, nesse sentido, a lavagem do alimento não elimina os resíduos. Com isso, houve o surgimento de alguns programas com o objetivo de analisar e comparar a presença de ingredientes ativos nas culturas. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), sob responsabilidade da ANVISA, foi criado em 2001 com o objetivo de avaliar, continuamente, os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos de origem vegetal que chegam à mesa do consumidor. Os resultados do monitoramento apontam que, em média, 63% dos alimentos consumidos pelos brasileiros, e que foram analisados pelo PARA, possuem algum tipo de resíduo de agrotóxicos. Conforme esses perigos e consequências foram divulgados, alguns estados foram implantando programas de monitoramento próprio, como é o caso de São Paulo, na região Sudeste, e do Paraná, na região Sul. Nosso projeto objetiva avaliar o perfil dos alimentos comercializados no estado do Paraná, em relação à presença de agrotóxicos, por meio da análise dos relatórios do PARA/PR, publicados entre os anos de 2011 e 2020. Para caracterizar o panorama do monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos no Paraná foram analisados os relatórios do PARA/PR dos anos compreendidos entre 2011 e 2020, os quais encontram-se publicados no sítio eletrônico da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA/PR). Assim, foi identificado o número de amostragem, tipos de alimentos e os ingredientes ativos pesquisados. Os resultados parciais demonstram que aproximadamente 73% dos alimentos analisados pelo programa estadual (modalidade Ceasa) possuem algum resíduo de agrotóxico, e, que em média 33,5% dos alimentos analisados na modalidade Alimentação Escolar, também apresentam resíduos de pesticidas. Ademais, no último relatório divulgado, foram detectados até 80 ingredientes ativos diferentes nas amostras analisadas, sendo ditiocarbamatos, carbendazim e imidacloprido os mais detectados. Melhorar o conhecimento sobre o risco alimentar de substâncias agrotóxicas parece ser um dos grandes desafios para a saúde pública, principalmente, quando se trata de uma população vulnerável como as crianças, os idosos e as mulheres grávidas, já que possuem certa fragilidade aos agentes químicos, sem contar os agricultores, os quais são expostos diretamente aos agrotóxicos no momento da pulverização. Portanto, torna-se importante a valorização do conhecimento e do interesse sobre essa problemática, bem como o incentivo de modos alternativos de cultivo, como a produção orgânica e agroecológica, que evitam a contaminação dos alimentos e do ambiente.

Downloads

Publicado

2022-09-19