A TEORIA DOS CÓDIGOS DE BASIL BERNSTEIN COMO INSTRUMENTO DE ANÁLISE DO CURRÍCULO DO CURSO DE MECÂNICA DO CEFET-MG

Autores

  • Pedro Henrique da Silva Melgaço Ramos IFC - Campus Blumenau

Resumo

Este resumo pretende apresentar alguns resultados de uma dissertação de Mestrado na área do Currículo
Escolar. Esta dissertação discutiu a Teoria dos Códigos de Basil Bernstein a partir do currículo do curso de
Mecânica do CEFET-MG. O objetivo da dissertação era responder as seguintes questões orientadoras: quais
foram as formas curriculares gestadas no curso de Mecânica? Essas formas tinham quais características?
Elas apresentavam finalidades distintas? Como explicar diferentes movimentos curriculares dentro de uma
instituição, especialmente em um curso técnico como o de Mecânica? Quais foram os impactos e os reflexos
desses diferentes movimentos curriculares para os alunos, curso e instituição? É possível superar a
dicotomia curricular, acadêmica “propedêutica” e técnica? De que forma? Para responder tais questões
orientadoras buscou-se a metodologia do estudo de caso, pois permitiria a busca de explicações e
interpretações convincentes a partir de fenômenos sociais complexos. O estudo de caso também permitiu
revelar a multiplicidade de dimensões de uma situação ou problema. As técnicas de pesquisa utilizadas
foram: entrevistas, pesquisa documental e análise de conteúdo. Concluiu-se que o CEFET-MG deveria
refletir sua prática a partir de quatro aspectos fundamentais: 1) a questão da divisão social do trabalho; 2)
o enquadramento das disciplinas do curso de Mecânica; 3) as diferentes práticas pedagógicas identificadas;
e 4) os diferentes tipos de conhecimento. A divisão social do trabalho encontrada na escola é o resultado da
mesma divisão existente em toda sociedade humana. A alta especialização da divisão do trabalho acarreta
uma série de problemas e dificuldades, não somente às pessoas, como também ao próprio contexto da
especialização. O segundo aspecto (enquadramento das disciplinas do curso de Mecânica) permitiu que
localizássemos diferentes formas de controle sobre a comunicação pedagógica, isto é, a comunicação
legítima de cada disciplina do curso de Mecânica. Importante considerar que o controle transmite as
relações de poder dentro dos limites de cada categoria e socializa os indivíduos nessas relações. O terceiro
aspecto revelou o reconhecimento de diferentes práticas pedagógicas para os professores analisados e dos
seus possíveis reflexos. Essas práticas são diferentes, na perspectiva das regras e critérios escolhidos para
determinar o enquadramento das disciplinas analisadas, mas são idênticas ao considerarmos essas mesmas
regras e critérios a partir de um contexto mais amplo. O quarto aspecto foi identificado a partir da prática
pedagógica dos professores, uma vez que alguns trabalhavam com o conhecimento dependente de contexto
e outros com o conhecimento independente de contexto. Para os alunos de lares desfavorecidos, a escola
constitui talvez o único lugar para aquisição do conhecimento poderoso. Esse conhecimento permitiria,
aliás, que esses alunos caminhassem para além das suas circunstâncias locais e particulares.

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Publicado

2023-11-28

Como Citar

Ramos, P. H. da S. M. (2023). A TEORIA DOS CÓDIGOS DE BASIL BERNSTEIN COMO INSTRUMENTO DE ANÁLISE DO CURRÍCULO DO CURSO DE MECÂNICA DO CEFET-MG. Anais Da Mostra De Ensino, Pesquisa, Extensão E Cidadania (MEPEC) - ISSN 2596-0954, 5. Recuperado de https://publicacoes.ifc.edu.br/index.php/MEPEC/article/view/4697